A maneira mais barata de chegar a Machu Pichu


casal de braços levantados em Machu Picchu, Peru
Machu Picchu foi eleita uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno

Machu Picchu, a cidade perdida dos incas, povoa o imaginário de muitos viajantes. Classificada como Patrimônio Mundial pela Unesco e eleita uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno, é um dos destinos turísticos mais visitados do Peru e procurado por turistas de todo o mundo. Com tamanha procura, os preços não são os mais em conta – ao menos comparando com outras atrações do país.


A oportunidade de ver as ruínas com nossos próprios olhos chegou em meio à expedição de 421 dias pela América do Sul. O desafio era não comprometer o orçamento e por isso foi preciso bastante pesquisa até descobrir a maneira mais barata de chegar até lá. Ela se resume, basicamente, a caminhar bastante.


Onde fica


Machu Picchu fica no Peru, no alto da Cordilheira dos Andes – a 2.430 metros sobre o nível do mar.


De onde partir


A cidade mais próxima usada como base, por ter mais infraestrutura turística, é Cusco – antiga capital do império Inca. Ela está a cerca de 200 km do sítio arqueológico e conta com bastante oferta de gastronomia e hotelaria, além de lojas de souvenires e agências turísticas. Vale a pena passar pelo menos um dia na cidade para explorar o centro histórico.


Não há voos diretos do Brasil, sendo mais comum voar até Lima, a capital, e depois seguir a Cusco de avião ou ônibus (a viagem terrestre costuma levar um dia inteiro pelas várias curvas na região da Cordilheira). Para quem vai a Cusco a partir da capital – que está ao nível do mar – é recomendado alguns dias para aclimatação, para que o corpo não sofra com a altitude. Nós já estávamos há meses viajando por regiões acima dos dois mil metros e por isso não sofremos tanto.


O Peru faz fronteira com o Brasil pelo estado do Acre. Cusco está a cerca de 1.000 km da capital do Acre, Rio Branco.


Casal com placa escrito Machupicchu
A placa tão esperada

É possível ir de carro?


Não. Trata-se de um sítio arqueológico encravado nas montanhas e não é possível ir de carro até Machu Picchu, já que a estrada vai somente até uma parte do caminho.


De Cusco a Machu Picchu


O ponto mais próximo de Machu Picchu em que pode-se chegar de carro é a Central Hidrelétrica Machu Picchu. Há alguns campings e restaurantes no entorno onde é possível deixar o carro estacionado em segurança.


Se você não estiver motorizado ou quiser poupar o seu veículo das estradas precárias e cheias de curvas da região, pode contratar o serviço de transfer a partir de Cusco. O preço por trecho gira em torno de 50 soles (aproximadamente R$ 75 no câmbio de abril de 2021) e o deslocamento dura cerca de seis horas.


Quem quiser poupar o esforço físico e não estiver priorizando a economia, há a opção de combinar o uso de trem + ônibus. Até o povoado de Aguas Calientes (também conhecido como “Machu Picchu Pueblo”) há trens a partir das estações de Cusco (4h), Paroy (3h), Urubamba (2h30), Ollantaytambo (1h30) e da própria Hidrelétrica (40 min). Os preços variam conforme a data, local de partida e os serviços oferecidos (na época em que fomos as passagens de ida e volta mais baratas passavam de 100 dólares).

Casal caminha sobre trilhos a caminho de Machu Picchu
Da Central Hidrelétrica até Aguas Calientes, basta seguir os trilhos do trem

Maneira mais barata: caminhando


A partir da Hidrelétrica são dois trechos de caminhada. O primeiro consiste em 12 quilômetros acompanhando os trilhos até Aguas Calientes. Não há bifurcações, portanto, se seguir os trilhos, é impossível se perder. A inclinação do terreno é pouco perceptível e há trechos com sombra, o que deixa a caminhada não tão pesada. Levamos 2h30 para completá-la e encontramos vários outros turistas no caminho, indo e voltando. Chegando em Aguas Calientes, procuramos um hostel para completar a jornada no dia seguinte, dessa vez até a porta de entrada de Machu Picchu. Pagamos 20 soles cada para um quarto compartilhado, sem café da manhã.


De Aguas Calientes até Machu Picchu são mais 2 km de caminhada. Apesar de ser bem mais curta, consideramos mais puxada que o primeiro trajeto, pois é só subida. Nesse pequeno trecho, a elevação é de 460 metros. Há degraus de pedra em meio à mata, o que acaba exigindo um pouco mais de resistência e fôlego. Fizemos inúmeras paradas para descansar e levamos 1h30 para chegar. Saímos nas primeiras horas da manhã e isso ajudou, pois estava mais fresco e sem sol. Realizamos a volta em torno das 10h e os pontos de sombra eram raros. Como estávamos descendo, foi tranquilo, mas subir nesse horário é mais desafiador. Há ônibus tanto para a ida como para a volta, a 12 dólares o trecho – para poupar há quem suba de ônibus e desça caminhando.



casal em Machu Picchu
Procure comprar ingresso para os primeiros horários

Ingresso para as ruínas


O ticket para visitar o sítio arqueológico custa atualmente 152 soles (cerca de R$ 230 no câmbio de abril de 2021). Há número limite de visitantes que podem acessar o local – a medida estava em vigor mesmo antes da pandemia de Coronavírus – e o ingresso é com horário marcado. Esta é a entrada simples, que dá direito apenas à visitação, sem guia.

O bilhete pode ser comprado online (reservas.machupicchu.gob.pe) ou nos Centros de Informações Turísticas de Cusco ou de Aguas Calientes. Como não tínhamos certeza da data em que chegaríamos em Aguas Calientes – de Cusco até lá fizemos algumas paradas pelo caminho – e conforme nos informaram em Cusco, não haveria muita movimentação naqueles dias, deixamos para comprar apenas na nossa chegada em Aguas Calientes.


Foi fundamental comprarmos o ticket para um dos primeiros horários de entrada a Machu Picchu. Vale para quem deseja pernoitar apenas um dia em Aguas Calientes e assim poder conhecer sem pressa a cidade perdida (nosso tour durou 2h30) sem correr o risco de estar na trilha até a Hidrelétrica após o sol se pôr, e vale também para os que optam por duas diárias em Aguas Calientes, já que os primeiros horários em Machu Picchu são os de menos movimento. Se você vai as 6h, por exemplo, haverá visitantes apenas desse horário; se for as 7h - o nosso caso -, ainda encontrará turistas das 6h; indo as 8h, terá pessoas das 6h e das 7h, e assim sucessivamente. (Esta aliás, é uma das principais dicas para evitar estranhos nas suas fotos que contamos no nosso e-book "Fotografia de viagem para leigos".)


Há um portão para iniciar a trilha até a cidade perdida e ele abre as 5h. Se você tem ticket para as 6h e quiser estar lá nessa hora pontualmente, precisará ter ótima resistência para a trilha morro acima ou então pegar um ônibus. Não haverá problema em entrar as 6h30 – o ingresso é com hora marcada, o que significa que não se pode entrar nem um minuto antes disso, mas é possível acessar um pouco depois. Importante lembrar que é preciso ter em mãos o passaporte ou o documento de identificação usado para comprar o bilhete.



Turista em Machu Picchu
A contratação de guia não é obrigatória

Quantos dias?


A partir da chegada na Hidrelétrica (de Cusco até ali de carro levamos dois dias, parando em atrações pelo caminho), tentar conhecer Machu Picchu no modo econômico em apenas um dia, sem pernoite, é algo que não recomendamos, a menos que você tenha um condicionamento físico impecável. São 12 km até Aguas Calientes (2h30), mais 2 km até Machu Picchu (1h30 para subir e 30 min para baixar), sem contar que dentro das ruínas há muito sobe e desce. Pelo tempo necessário para as trilhas (7h) mais visitação (4h), fazendo as contas, até daria tempo saindo ainda de madrugada, mas talvez você tenha pouca energia para curtir o local histórico e faça parte do caminho no escuro. Uma opção para poupar tempo é subir de ônibus, mas sai bem mais caro do que um quarto em um hostel simples (12 dólares o ônibus contra 20 soles a diária).


Com tempo e dinheiro, o ideal seria pernoitar duas noites em Aguas Calientes: uma no primeiro dia após a trilha de ida e outra após visitar as ruínas, fazendo o caminho de volta apenas no terceiro dia. O povoado, apesar de pequeno, tem boas opções gastronômicas e lojas de souvenires, além de (fazendo jus ao nome) piscinas de águas termais (20 soles por pessoa).


Tínhamos tempo, mas pouco dinheiro, então acabamos optando por apenas uma diária. Dessa forma, o caminho da volta foi mais cansativo, considerando que em apenas um dia realizamos três trechos de caminhada: a subida de Aguas Calientes a Machu Picchu, a descida pelo mesmo caminho e a trilha de 12 km de retorno de Aguas Calientes até a Central Hidrelétrica (onde estava o carro).



Turista em Machu Picchu
Tente levar na mochila apenas o necessário

DICAS EXTRAS


- O tempo máximo de permanência em Machu Picchu é 4h. Ficamos menos que isso (2h50), mas em nenhum momento foi conferido o nosso ingresso novamente. Se pretende subir as montanhas (Huayna Picchu ou Machu Picchu), programe-se com meses de antecedência. O ingresso custa 200 soles (contra os 152 soles do ticket básico), mas quando compramos a entrada para Machu Picchu, já estava esgotado para os três meses seguintes.


- Deixar para comprar o ticket em Aguas Calientes pode não ser uma boa dependendo da época do ano e do dia da semana. Embora todos os dias sejam movimentados, nos finais de semana pode ser um pouco mais complicado de conseguir os primeiros horários comprando de um dia para o outro.


- Não é obrigatório a contratação de guia. É interessante se quiser saber mais sobre o local e se couber no seu bolso: dependendo do número de pessoas do grupo, custa de 20 a 50 soles por pessoa. Como a compra dos ingressos + hostel já estourou nosso orçamento, optamos por não contratar.


- Não há banheiro dentro das ruínas e ao lado de fora custa 2 soles. É proibido comer lá dentro. Não há guardas no interior, apenas uma equipe de apoio que orienta os caminhos e fiscaliza o descumprimento de regras, como não escalar as pedras e circular apenas nas áreas permitidas.


- O lugar é realmente mágico, mas a quantidade de pessoas atrapalha um pouco o momento de curtir toda aquela atmosfera. Boas fotos sem estranhos invadindo seus registros requer muita paciência.


- Não esqueça de passar protetor solar e repelente. Use roupas leves e, como as nossas mães sempre diziam, leve um casaquinho, pois à noite sopra um ventinho. A época de chuvas vai de novembro a março, mas fora desse período pode cair alguns pingos. Fomos no início de setembro e no dia anterior à trilha, vindo de Cusco, pegamos um pouco de chuva, mas não durante a trilha.


- Tente levar o mínimo de peso possível, mas lembre-se de comprar água em Aguas Calientes, porque no caminho pode sair mais caro – há locais vendendo lanches, bebidas e refeições completas.


- Levamos cerca de 5 litros de Gatorade e 3,5 litros de água. Foi suficiente para todos os trechos. Para comer levamos 24 barrinhas de cereal (sobraram algumas), um chocolate (comemos 2/3), um pacote de bolacha (comemos metade), sete sanduíches de carne (suficientes para o primeiro dia) e uma lata de atum (para os sanduíches do segundo dia). Em Aguas Calientes compramos apenas duas bananas (R$ 1,20 cada) e seis pães (R$ 2,40).


- Não é obrigatório reservar hostel com antecedência, mas vimos alguns já lotados no meio da tarde enquanto procurávamos. A opção mais em conta que encontramos com quarto compartilhado foi por 20 soles (R$ 25 na época) por pessoa, sem café da manhã, mas com banho quente e Wi-Fi. Com um pouco mais é possível encontrar quarto matrimonial (50 soles sem café da manhã e 60 soles com café). O café começa a ser servido, em geral, às 4h30, dando tempo suficiente de alimentar-se antes de iniciar a trilha. Para quem tem equipamentos de camping, há opções na entrada do povoado (10 a 15 soles por barraca).


- Para quem dispõe de mais tempo e preparo físico, há outras trilhas que levam até Machu Picchu. A mais procurada é a Trilha Inca: 4 dias de caminhada, necessita contratação de guia e recomenta-se reserva com antecedência. Outra opção é a Salkantay, que leva de 5 a 7 dias e alguns aventureiros mais experientes se arriscam em fazer por conta própria. Ela é mais desafiadora por conta da variação de altitude e passa por paisagens incríveis como a Laguna Humantay - que conhecemos após a ida à Cidade Sagrada, indo de carro até o início da trilha (próximo à cidade de Mollepata).


Mais informações no site oficial: www.machupicchu.gob.pe