Dicas para planejar um mochilão de 30 dias na Europa

Atualizado: Fev 4

Antes de embarcar na aventura de carro pela América do Sul fizemos um mochilão de 30 dias pela Europa entre dezembro de 2018 e janeiro de 2019. Foi uma viagem planejada com um ano de antecedência, para que coubesse no nosso bolso. Neste post compartilhamos algumas dicas que utilizamos para montar o roteiro e economizar.


Como economizar na compra das passagens?


O primeiro passo para o nosso planejamento era definir a data da viagem e o ponto onde iniciaríamos o roteiro. Quem viaja com datas flexíveis tem mais chance de conseguir economizar ao ficar de olho nas promoções. Como teríamos apenas o período de férias da faculdade, nossa margem era menor, mas mesmo assim aplicamos a tática de viajar nos dias em que os trechos estivessem mais baratos. A escolha do destino inicial e final também usou a mesma lógica - era nossa primeira vez na Europa, então não tínhamos necessariamente preferência por algum país.


No fim de dezembro de 2017, quando decidimos que faríamos a viagem, com cerca de um ano de antecedência, começamos a monitorar diariamente o valor das passagens em sites como o Kayak. Em meados de janeiro de 2018, quando ficou disponível a venda do trecho da volta (as companhias costumam não oferecer voos com mais de um ano de antecedência) e vendo que o preço estava dentro do que pretendíamos gastar, fechamos a compra. (Lemos muitas dicas sobre esperar mais perto da data para ter mais chances de promoções, mas decidimos não arriscar - poderíamos economizar, é claro, mas e o risco de comprometer o orçamento todo?)


Acabamos antecipando as datas em uma semana porque a combinação entre ida e volta ficava mais em conta desta forma - testamos todas as combinações possíveis antes de bater o martelo. Fizemos a compra direto do site da TAP porque os preços eram mais em conta do que nos sites de pesquisas de promoções de passagens aéreas. Pegamos ida e volta separadas para poder ter direito a stopover nos dois trechos - é tipo uma escala prolongada em um destino intermediário. Se fizer ida e volta na mesma compra, o stopover se aplica a apenas um dos trechos.


Ficou assim:


IDA: Porto Alegre - Madri com parada de 3 dias em Porto.

VOLTA: Roma - Porto Alegre com parada de dois dias em Lisboa.


O número de dias do stopover e os destinos foram definidos de acordo com a opção mais em conta nas combinações testadas. Com taxas, pagamos cerca de R$ 2.500 cada um (ida + volta).


Como montar o roteiro do mochilão?


Passagens compradas e com ponto de chegada e saída do Velho Continente definidos, o passo seguinte foi elaborar um roteiro lógico de Madri a Roma. Para isso, mapeamos as cidades que gostaríamos de visitar e, olhando o mapa, já fomos descartando as que ficavam muito distantes (como Berlim). O passo seguinte foi pesquisar opções para o deslocamento entre as cidades no site Rome2rio ao mesmo tempo em que conferíamos opções de hospedagem no Booking. Queríamos ir para Suíça ou Áustria, mas os preços para hospedagem na época de final de ano eram impraticáveis para nosso orçamento. Também pensamos em Londres, mas optamos em circular apenas em países que utilizam o euro como moeda para facilitar a logística. Depois de alguns meses analisando as variáveis, chegamos ao esboço final do nosso roteiro de um mês de Eurotrip. Para a maioria das cidades destinamos dois dias do roteiro - o primeiro sem contar muito com passeios por conta do deslocamento, mas tentando viajar em horários que também pudessem otimizar este dia. Reservamos mais dias para Roma e Paris, pois eram cidades que mais nos atraíam.


Ficou assim:

Mapa de uma eurotrip de 30 dias

- Porto-Portugal (2 noites)

- Madri-Espanha (2 noites)

+ noite dormida no ônibus

- Barcelona-Espanha (2 noites)

+ noite dormida no ônibus

- Paris-França (4 noites)

- Bruxelas-Bélgica (1 noite)

- Amsterdã-Holanda (2 noites)

+ noite dormida no ônibus

- Luxemburgo-Luxemburgo (algumas horas - conexão)

- Trier-Alemanha (1 noite)

- Heidelberg-Alemanha (2 noites no)

+ noite dormida no ônibus

- Verona-Itália (2 noites)

- Florença-Itália (2 noites)

- Roma-Itália (3 noites)

- Lisboa-Portugal (2 noites)


Como se deslocar entre cidades e países na Europa?


Como todos os países que incluímos no roteiro fazem parte do Espaço de Schengen, não haveria necessidade de enfrentar trâmites burocráticos na troca de país, apenas na chegada à Europa. Para quem não sabe, é um acordo político para livre circulação de pessoas entre os países signatários (leia mais aqui) e então é como se você estivesse viajando de um estado a outro no Brasil. Há diversas formas de fazer isso, seja de avião (com companhias baratinhas, chamadas de low cost), de trem ou de ônibus. Esta última foi a opção mais em conta para os destinos que pretendíamos e acabou sendo a nossa escolha em quase todo o roteiro - a exceção foi um único trem de Florença a Roma. Pesquisamos opções no site Rome2rio e compramos as passagens antecipadamente diretamente no site das empresas que oferecem a rota. Os valores variaram de 8 a 47 euros cada um por trecho.


Uma dica já conhecida para economizar na hospedagem é viajar durante a noite/madrugada. Como vocês podem perceber no roteiro acima, nós a colocamos em prática. E aí vocês devem estar se perguntando como é dormir no ônibus. Precisamos confessar: não foram noites tão boas porque os assentos reclinam pouco - ironicamente dormimos melhor no Sandero na nossa viagem pela América do Sul - e a calefação é muito forte - o que ataca a nossa rinite. Também esquecemos de levar almofadas de pescoço e o rolinho feito com casacos não era a melhor das opções - melhor seria ter comprado umas infláveis, estilo essas da Portable Style (com nosso código CRONICASNABAGAGEM15 você tem 15% de desconto).


Algumas estações de ônibus são bagunçadas (às vezes o ponto é apenas uma placa na calçada, sem abrigo para as intempéries) e enfrentamos alguns atrasos - o pior deles foi de Barcelona para Paris, quando o ônibus atrasou mais de 3 horas, a estação fechou e tivemos que esperar na rua e no frio e ninguém sabia informar ao certo uma previsão de horário (por sorte um dos passageiros estava monitorando as informações no app da companhia e nos ajudou a ter uma noção mais exata). Mas, como sempre falamos: viagem sem perrengue, não é viagem.


É melhor ficar em hostel ou hotel?


Não temos muita frescura para hospedagem e para nós tanto faz ficar em hostel ou hotel. Curtimos o clima multicultural de hostel, mas para pagar barato é preciso dividir o quarto com desconhecidos. Quanto mais pessoas por habitação, mais em conta, mas também maior a chance de ter o sono atrapalhado por alguém que acende sem querer a luz de madrugada, solta flatulências ou ronca alto. Algumas pessoas podem se incomodar, para nós, é secundário: o que importa é poupar. Só não pegamos todas as hospedagens em hostels porque alguns já estavam sem vaga, outros eram mais caros que hotel e também houve casos de haver limite de idade - já tínhamos passado dos 30 anos. Por ser final de ano, os preços estavam mais elevados - pegamos opções de 7 a 35 euros por pessoa. Escolhemos pesquisando no Booking e no Hostel World levando em conta uma combinação de preço, localização e avaliação dos outros hóspedes. Ao nosso ver foram boas escolhas, sobretudo pela localização, que nos permitia ou fazer tudo a pé ou pegar transporte público perto.


Pendências e burocracias pré-viagem


Durante o período de preparação para a viagem também tivemos que resolver algumas pendências burocráticas, como emissão do passaporte e compra de seguro para a viagem - é obrigatório para a Europa (com o código NABAGAGEM5 você tem 5% de descontos na cotação com a SegurosPromo).


Quanto dinheiro levar para um mochilão na Europa?


Esta é uma pergunta que muita gente se faz e cuja resposta depende de uma série de fatores, sobretudo o seu estilo de viajar - quase todos os blogs que pesquisamos indicavam um valor bem acima do que a média que nós estipulamos. Para definir quanto gastaríamos usamos aqui uma máxima que também se fez presente na nossa viagem pela América do Sul: chutamos um valor e nos viramos para ficar dentro dele, monitorando diariamente os gastos. Claro que não foi um chute totalmente no escuro: pesquisamos preços de transporte público, atrações que queríamos visitar e demos uma vasculhada nas ofertas no site de grandes redes de supermercado nas cidades do nosso roteiro. Sendo assim, e levando em conta o quanto poderíamos gastar na viagem, estipulamos 35 euros para nós dois juntos por dia para passeios e alimentação (hospedagem e passagens já estavam pagas à parte). Monitoramos a variação do euro ao longo do ano, comprando aos poucos em momentos de baixa. Pagamos por volta de R$4,50 para cada euro e levamos em espécie todo o valor que usaríamos (bem escondido na doleira). Foi mais do que suficiente. No final da viagem tínhamos folga no orçamento e nos esbaldamos em pizzas e gelatos.

Por precaução, tínhamos nosso cartão do Brasil (débito, não crédito) para eventual saque, mas não foi preciso.


Como espaço na bagagem era um problema (fomos com mala de mão para não pagar despacho), o orçamento era apertado e na volta engataríamos uma viagem de dois anos pela América do Sul, não tinha muito como pensar em lembrancinhas - compramos uma caneca para a mãe da Carina e para o restante da família, terços no Vaticano, abençoados na audiência papal.


Como economizar nos passeios?


Montamos o roteiro do que visitar em cada cidade pesquisando em muitos blogs - tivemos um ano inteiro de preparação e planejamento, toda semana vasculhávamos um pouco sobre cada destino. O que nos atrai em grandes metrópoles é justamente observar a atmosfera da cidade, a arquitetura, as pessoas na rua - o que tem a vantagem de ser praticamente grátis.

Andamos muito a pé, usamos transporte público e aproveitamos atrações gratuitas. O único passeio pago foi para visitar o Coliseu.


Na Europa há muitos museus com entrada gratuita em determinado dia da semana ou do mês. O único que encaixou no nosso roteiro foi o Museu Reina Sofia. Também poupamos com a entrada no Panteão, em Paris, usando nossa carteirinha de jornalista. Marcamos os pontos de nosso interesse no Google Maps e íamos nos deslocando de um a outro sem traçar rota, apenas conferindo a movimentação do cursor no aplicativo. Como estávamos de férias e deslumbrados com tudo, não haveria problema caso nos perdêssemos.


Como é o transporte público na Europa?


Para usar o transporte público também olhávamos no mapa estações de metrô ou ônibus próximas ao local. O próprio Google Maps, nas cidades maiores, sugere qual linha utilizar, mas em cada estação há mapas informativos fáceis de se orientar até pelos mais perdidos - ou que não estão acostumados a este tipo de transporte por morar em cidades menores. Para não errar o ponto onde descer, íamos acompanhando o deslocamento no mapa.

Uma dica importante é nunca esquecer de validar o seu ticket ao entrar no ônibus/metrô, para não correr o risco de ser multado por "tentativa de fraude". Na dúvida, observe os demais usuários para saber aonde validar, já que o sistema pode mudar bastante de um país para outro.


Como economizar na alimentação?


A alimentação é um dos custos variáveis que pode até mesmo arruinar o seu orçamento. Para evitar que isso ocorresse, monitoramos diariamente os gastos e se estava abaixo do estipulado, nos dávamos o luxo de experimentar algo um pouco mais caro. Mas, de qualquer forma, se estávamos em hostel com cozinha, preparávamos a nossa comida. Assim, é possível ter uma boa refeição gastando por volta de 5 euros - com direito até a um bom vinho.


Em hotel, comíamos comida de rua (provando iguarias locais) ou algo pronto de supermercado (frango assado, saladas ou o bom e velho sanduíche). Os quartos de hotel - ao menos onde ficamos - não costumavam ter frigobar. Mas como era frio, às vezes deixávamos a comida na sacada para conservar - na calefação do quarto queijos e salame estragariam facilmente, por exemplo.


Nem todos os hotéis tinham incluído na diária o café da manhã. Em alguns casos optávamos por algum menu matutino do McDonalds para dividir, pegando um café grande.


É possível viajar sem saber falar outro idioma?


Uma das grandes preocupações de quem viaja por conta, sem um pacote turístico, é conseguir se comunicar no destino. Na Europa esta missão pode ser simples ou complicada, dependendo dos países que visitar e da sua familiaridade com outros idiomas.


Em Portugal, apesar da mesma língua, há palavras diferentes e os portugueses que encontramos falavam bastante rápido, o que às vezes pode dificultar a compreensão. Mas a comunicação é bem possível, assim como na Espanha, onde usamos o bom e velho portunhol - nossa noções era bem rasas na época. Nos outros países, não teve jeito: apelamos para inglês e mímicas.


Descobrimos, na prática, que nosso inglês não estava tão ruim - a Carina concluiu um curso em escola de idioma na adolescência e o João estudou por um ano, já adulto - assim que chegamos em Paris e precisamos comprar bilhetes de metrô e confirmar a linha para chegar ao nosso hotel. Não sentimos nenhuma hostilidade por parte dos franceses. Será que é mito que eles não gostam que falem em inglês com eles? Ao menos nós tivemos boas experiências.


A comunicação foi mais complicada na Alemanha. Teve lugar em que a saída era procurar alguma tenda de comida com menu com fotos e apontar para o que queríamos. Até hoje não temos certeza do que comemos em algumas cidades, mas o que importa é que estava gostoso.


Claro que ter algumas noções de inglês sempre ajuda, mas caso não saiba nada em outras línguas, vale apelar para aplicativos de tradução - o Google Tradutor permite fazer download do idioma desejado para usar offline.


É possível ficar 30 dias viajando só com bagagem de mão?


Para não pagar despacho, fomos com mala de mão nas dimensões fornecidas pela companhia (fomos com fita métrica até a loja para garantir). Tínhamos receio de carregar 8 kg nas costas para lá e para cá e por isso fomos com mala de rodinha - chegamos a caminhar 5 km de um hotel até a estação de ônibus (por economia e para conhecer a cidade).


Não pegamos muito frio - para os nossos padrões - e nos viramos com roupas que usamos no inverno gaúcho. Lavávamos roupa no banho ou pia e deixávamos secar em cabides no quarto ou perto do aquecedor (por conta da calefação secava fácil).